sexta-feira, 23 de maio de 2008

Cinema: A vida de David Gale


A vida de David Gale
Por Mariana Pena Teixeira

Assassinato ou suicídio? : tudo em prol de uma causa

A vida de David Gale é um equilíbrio entre o cinema arte e o cinema comercial. Escrito em 1998 e lançado em 2003, o filme de Alan Parker tem uma temática político – crítica: a pena de morte. Mas o objetivo principal é provar que o sistema penal dos Estados Unidos (sobretudo do Texas) é falho e condena inocentes. A trama de Charles Randolph desenvolve-se em 130 minutos e é classificada como imprópria para menores de 18 anos por ter cenas de sexo, violência grave e conflitos psicológicos intensos – e são exatamente esses conflitos que mantém a história atrativa e envolvente . O diretor de “Mississipi em Chamas” e “Coração Satânico” afirma ter sido este o melhor scrip dos últimos anos. O filme ainda conta com a produção do ator Nicolas Cage.
David Gale (Kevin Spacey), protagonista, é um intelectual, o primeiro da turma em Harvard, tem dois livros publicados, professor de Filosofia da Universidade do Texas, pai e um dos líderes do movimento contra a pena de morte nos Estados Unidos, “DeathWatch”. Mas esse mesmo David é alcoólatra, acusado de dois estupros e um assassinato, e, por isso, foi condenado à morte. Há quatro dias de sua execução, Gale resolve contar sua história a jornalista Bitsey Bloom (Kate Winslet). É evidente o envolvimento dela com a fonte e com os acontecimentos narrados por ele.
Uma das cenas mais importantes é quando David Gale e o governador do Texas debatem sobre a pena de morte num programa de televisão. Gale se sobressai até a parte em que afirma que inocentes são executados e o governador responde: “Então me diga um nome de um inocente que foi morto, apenas um nome, e eu concedo uma moratória”. David se cala.
Ele é acusado de estuprar e assassinar sua amiga e também ativista Constance. .A ironia acontece, pois nas duas acusações David era inocente, em nenhuma delas o sistema constatou isso e o líder do movimento contra a pena de morte foi executado nessa forma de punição. A jornalista aos poucos descobre que Constance, portadora de leucemia em caso terminal, planejou a própria morte, com a ajuda do ativista Caubói e de David Gale, já que a acusação recairia sobre Gale pelo fato de já ter sido indiciado no passado.
A atuação das atrizes Kate Winslet e Laura Linney é fantástica. A personagem Bitsey só tem contato com David pelo vidro da prisão, mas envolve-se na história como se o conhecesse há anos. Constance, por sua vez é intensa, capaz de morrer para defender uma causa.